O Argumenta parte de uma constatação banal: falta ao Brasil uma cultura de debates. As causas são várias e quase todas remetem a uma noção frágil de comunidade, em que o dissenso raramente é tratado como forma de refinar o pensamento coletivo. A lacuna atravessa a academia e a esfera pública.
Na academia ela aparece de dois modos, que são o mesmo. De um lado, a ideia, corrente até entre pesquisadores experientes, de que criticar é deselegância ou ataque pessoal. De outro, a escassez de diálogos identificáveis sobre um mesmo tema, apesar da profusão de textos sobre assuntos controversos — contraste que salta aos olhos na comparação com a produção estrangeira.
No direito o quadro se agrava por um desequilíbrio entre teoria e prática. Não se trata de defender dedicação exclusiva à academia: boa teoria é a que serve à prática, ainda mais numa ciência aplicada. O problema é a dedicação insuficiente, que costuma vir acompanhada da colonização da academia pelo pragmatismo do circuito escritório-órgão público.
Instrumentalizada assim, a produção acadêmica troca seu programa epistêmico por capital simbólico no mercado jurídico. O resultado é conhecido: trabalhos descritivos, não raro sincréticos, que se acumulam sobre os mesmos temas sem acrescentar.
O projeto começou em 2013 com os Diálogos Fundamentais, entre docentes. No ano seguinte ganhou o PósDebate, entre estudantes. Os dois braços se comunicam desde então.